terça-feira, 4 de maio de 2010

Explicação de "Pessoa fucoteando"

Olá (estranho escrever "sei lá pra quem", não estou habituada). Pois bem, bem-vindo Sr. ou Sra. “Sei lá quem”. Nada mais justo que começar explicando a origem do título "Pessoa Fucoteando". Alguns, com muita intimidade, já devem ter matado a charada. É uma referência aos meus autores favoritos: Fernando Pessoa e Michel Foucault. Pessoa (e seus heterônimos), na literatura (portuguesa): poeta, múltiplo, multifacetado, profundo, louco (?), misterioso, silencioso, observador. Ele foi apresentado a mim durante o curso de Letras.

Bem, a referência ao nome dele foi feita, pois, volta e meia, trarei a este blog as artes que mais me agradam (música, artes plásticas, literatura, cultura negra). Além disso, "Pessoa" também remete à espiritualidade, afinal, entre seus três heterônimos, há um que é o mestre: Alberto Caeiro - e, certamente, neste blog não conseguirei fugir das visões espiritualizadas (oriental, ocultista, etc) que compõem meu ser. Ricardo Reis, outro heterônimo, também fala muito da natureza e de uma vida leve, desapegada. Enquanto Álvaro de Campos, que é meu favorito, é o oposto: é o eu intenso de Pessoa, que grita, que geme, que vê um mundo agressivo e hostil. Enfim, Pessoa é a própria representação de tudo o que podemos ser em uma só pessoa.

Quanto ao termo “fucoteando”, como já disse, vem de Foucault: filósofo/historiador francês, profundo, destemido, inovador... ousou "saltar" das correntes de pensamento de seu tempo (isso é possível?) e, então, passou a refletir de uma forma (relativamente) diferenciada a relação do homem com o saber, os discursos, o (s) poder (es), as instituições, as relações, as subjetividades... Foucault eu conheci/estou conhecendo no mestrado (o que seria da minha pesquisa sem ele??? Aliás, o que seria do "eu pesquisadora" sem ele???). Neste blog, então, quando estiver "fucoteando", na verdade, estarei filosofando, ou até questionando algum "discurso" que me incomode (alguns me incomodam, fazem-me pensar: “por que essa é uma verdade? Por que todos a repetem e ninguém pensa sobre ela?”. Falando em verdade, para Foucault, não existem verdades: tudo é discurso).

“Fucoteando” foi escrito assim, pois a pronúncia do nome Foucault resume-se a “fucô". Simples, né?! Franceses complicam até a escrita. Deveria ser “Michel Fucô” e pronto, pra que tanta frescura? Enfim, usar a palavra “fucoteando” também é um jeito de anunciar que, por vezes, a minha filosofia será de boteco: informal, brincalhona, tentando construir algum humor (se vai dar certo, não faço ideia).

Este blog ganhará cara a medida que eu for o construindo. Adianto que será múltiplo. Coisas minhas, coisas de Foucault e de Pessoa, coisas de outros autores. Coisas curtas, tipo "pensamento do dia" ou "despensamento do dia"; coisas longas, quase bíblicas, cansativas, que duvido que alguém consiga terminar de ler.

Já gostei disso aqui! É uma espécie de fuga: estou um pouco cansada da escrita acadêmica (tudo minuciosamente controlado e calculado). Tenho que me acostumar a escrever sem destinatário concreto.

Ah, e sumam daqui, plagiadores. Respeitem a autoria deste blog, ou não terei piedade de vocês há-há-há-há-há (risada maquiavélica).

Jeice

Um comentário:

  1. Jê gostei do blog!!!! Bem vinda ao mundo dos blogueiros, vc vai adorar...daqui a pouco as pessoas ficam conhecendo o espaço e começam a dar opiniões e sugestões das mais variadas. Quero só deixar registrado, que definitivamente fiz a faculdade errada, pq eu AMO Fernando Pessoa e to amando tbém o Foucault! É isso ai garota! Beijocas, Ana

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