Num mundo como o nosso, repleto de fantoches, imagens feitas para agradar ao mercado, frases entre dentes, gestos calculados, segundas intenções, passados intocáveis, relações indiscutíveis, inseguranças inconfessáveis, incertezas reprimidas, amores mal-resolvidos camuflados, desejos abafados, segredos irreveláveis, defeitos disfarçados, conhecidos que não se conhecem, enfim, neste mundo de aparências, o maior tesouro que um homem pode ter e querer é desenvolver, com seus pares, relacionamentos baseados na confiança e verdade. Uma personalidade sincera, verdadeira e forte é algo que se pratica, tanto quanto uma personalidade evasiva, camuflada, dissimulada, hipócrita, medrosa e contingente. Em ato nos desenvolvemos - e tenho medo quando vejo um homem atuar dissimulada ou evasivamente, pois creio que está reforçando, em si, esse jeito de ser. Não penso em atos isolados – vejo homens se construindo na ação. Construímos o que somos em ato: a cada vez que escolhemos agir de uma determinada maneira. O mundo, a vida, os que convivem conosco, a existência fazem perguntas, estimulam-nos à ação, requerem de nós respostas verbais ou práticas, esperando para ver se nós agimos, falamos e mostramos nossos corações.
Jeice Campregher
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